NB séries #1_Capitão Costas

Dezembro 11, 2015

 

Tal qual fénix renascida, ave lendária da mitologia grega que, quando morria, entrava em auto-combustão e, passado algum tempo, renascia das próprias cinzas, eis que o Nortebouldering dá novamente sinais de vida, neste início de época.

Vasculhando o nosso acervo de imagens, facilmente se constata que ele é maioritariamente constituído por… lixo. Sim, lixo é algo que não falta. Como tal, decidimos ser pragmáticos e começar a reciclar. Daí que tenha surgido o conceito NB series (No Bullshit series, perdoe-se o anglicismo, em favor do trocadilho). A proposta é pegar em imagens inúteis, por vezes até mal filmadas, e aceitar o desafio de se criar curtos vídeos (2 minutos, 3 minutos no máximo), ao estilo americano “in your face”. Sem grandes tretas ou preocupações com história, contexto, ambiente, imagem, etc. No fundo, recorrendo a uma analogia culinária, criar um prato rápido, barato e apetitoso, usando os restos da dispensa, tendo em conta os constragimentos do dia-a-dia.

Comecemos então a saga com NB series #1_Capitão Costas. FA do problema Capitão Costas, em Adaúfe, Serra da Freita, por Sérgio Martins. 

Ingredientes da receita: uma tarde de filmagem, muitos dias a trabalhar o bloco, uma grua mal assente e muitos amigos e tralhas à volta. Tempere-se com uma criança de 7 anos a correr ali no meio. Misture-se tudo numa panela, salteie-se rapidamente com alguns plugins do AfterEffects e sirva-se de imediato, sem deixar arrefecer. Bom proveito. Pedro Rodrigues 


NBgram

Novembro 27, 2015

Estamos de volta. Mais uma época, mais uma viagem no carrossel, o bilhete paga-se sempre com pele, sangue, muitos f*#$%# e, de vez em quando, alguns encadeamentos decentes. Dentro em breve os conteúdos habituais e para já como novidade podem seguir-nos também no Instagram.

 

nb instagram


Quarta-Feira Fotos. KK Bleau

Abril 1, 2015
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Outra vez no Apremont Bleaussard, Magno King abra a porta ao seu estilo favorito. Foto: Pedro Rodrigues.

 


Be Leaf

Março 20, 2015

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A Leaf é uma marca 100% portuguesa que está a dar agora os primeiros passos. Como muitas grandes marcas está a começar literalmente numa garagem, à semelhança de John Middendorf com a A5, Christian Griffith com a Verve ou Clark Shelk com a Cordless, só para referir alguns casos.

Filipe Sequeira, a força por trás da Leaf, tem em comum com esses senhores um verdadeiro talento para os chamados “trabalhos manuais”, é um craftsman no verdadeiro sentido da palavra, talento a que junta a sua formação de origem em design gráfico e claro uma paixão pela escalada. Somando tudo aparece a Leaf, para já, e para começar, com uma linha de sacos de magnésio para desportiva e bloco, com materiais muitas vezes reciclados. Os sacos são bem desenhados, bonitos e ergonómicos, fruto da sua criatividade,   um trabalho lento de pesquisa e testes na rocha por escaladores exigentes.

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No seu atelier o Filipe também repara, com grande mestria, crashpads, colchões de ginásio, sacos de magnésio, enfim quase tudo.

Para breve mais novidades, como sacos para desportiva, crashpads etc.

Passem pela sua página no facebook ou peçam um catálogo em leafclimbing@gmail.com.


Quarta-Feira Fotos. MC Bleau

Março 18, 2015
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Algures no Apremont, entre a bruma bleaussard, MC galga em bom estilo uma típica pança. Foto: Pedro Rodrigues.

 


Quarta-Feira Fotos. Porklands, Tecto do Cu do javali.

Março 4, 2015
Porklands

Cada zona tem os seus ex-líbris, se Fontainebleau tem o famoso Toit du Cul de Chien, Porklands tem o Tecto do Cu do Javali, um enganador bloco a exigir em cima um segurador-pescador para os mais incautos…

 


DawnWallmania#3. A Cobertura dos Jornais Portugueses.

Janeiro 21, 2015

capa dn dawn wall

 

Com tal brado e eco na imprensa americana, especialmente no NYTimes, não era de estranhar que a imprensa indígena começasse a salivar pavloviamente perante tão inusitado e inexplicável acontecimento.

O JN foi o primeiro a morder o isco, e no seu notório estilo trauliteiro, e de informação cuidada ao mais ínfimo pormenor, informou-nos via online que:

Yosemite tinha sido despromovido à triste e portuguesa condição de Parque Natural, depois de quase um século como Parque Nacional. Bem instalados no novíssimo Parque Natural, dois homens tinham prescindido de instrumentos de escalada para subirem o El Capitan contentes que estavam com a força das suas mãos e pés para treparem.

Sabiam, por exemplo, o que mais ninguém sabia a nível mundial, que a escalda estava destinada a demorar apenas 18 dias. Descontentes com o léxico que os escaladores portugueses usam no dia-a-dia, resolveram inovar criando um glossário novo para a escalada, aparecendo assim a Dwam Wall dividida em 32 bonitos sectores.

O jornalismo isento do JN não se coibiu de anunciar que a marca Patagonia tinha pago aquilo tudo, para grande gáudio de Tommy Caldwell, o patrocionado, e Yvon Chouinard, o dono. Estes prontamente vieram a terreiro agradecer a publicidade gratuita e de caminho a conhecida marca de luxo de montanha declarou que está a pensar abrir uma loja na Rua mais cara da cidade do Porto, para aproveitar o efeito bola de neve da divulgação da sua marca entre os leitores do JN.

Por fim num acto ao melhor estilo estalinista, a história da escalada foi reescrita, com Yvon Chouinard, ele próprio, a fazer parte da primeira equipa a tentar escalar o “El Cap”, vislumbra-se aqui um puro delírio do JN? Ou outro frete à Patagonia? Com tudo isto consta que Kevin Jorgeson e a Adidas estão bastante agastados com o esquecimento, que dizem deliberado, e exigem uma reparação, colocando-se o próprio fundador da Adidas, Adi Dassler, nessa famosa primeira equipa que tentou escalar o El Cap, o Jornal aí recuou dizendo que havia limites e não se podia brincar com o gajo que inventou as chuteiras.

O Jornal de Notícias e o Diário de Notícias apesar de terem o mesmo dono são um bocadinho diferentes. A malta do DN empolgou-se a sério e a Dawn Wall teve honras primeira página, é ver para crer.

A informação já aparece um pouco melhor, a referência ao famoso tweet da Casa Branca etc. Mas informar sobriamente é demasiado fácil, é preciso inventar um pouco e também quiseram inovar criando um novo termo para via de escalada, rota, num ousado brasileirismo ou talvez lançando mão do novo acordo ortográfico.

Garantem depois que TC e KJ escalaram “sem usar nada mais do que os dedos das mãos e dos pés (com cordas apenas para amparar as quedas)” eis a nova definição de escalada livre onde os dedos dos pés parecem ter um papel preponderante, ainda bem que TC tem os dedos dos pés todos ao contrário das mãos. Esta nova definição da escalada vem talvez dar razão à grande atoarda de Yvon Chouinard sobre esta escalada quando refere, aqui na tradução livre do JN, “Isto não deixa alternativa ao Papa Francisco senão considerar o chimpanzé como o nosso parente mais próximo”.

A subir de nível chegamos agora ao Observador, a coisa parece bem encaminhada, com os másculos “dois homens” do JN e DN, a serem substituídos por um agradável “dois amigos”, mas logo no lead metem o pé na…corda: “Kevin Jorgeson e Tommy Caldewell são os primeiros a alcançar o topo de Dawn Wall sem ajuda das cordas (para subir…)”, eu percebo…mas o tal público generalista que parece agora estar apaixonado pela escalada deve ter ficado um pouco baralhado logo a abrir.

Rota continua a aparecer em vez de via, talvez esteja na altura de nos adaptarmos. A notícia segue agradável de seguir, realçando-se a importância das redes sociais como forma de comunicação preferencial enquanto os escaladores estavam na parede. Depois aparece a criatividade: “Estas espécies de seguidores do Homem-Aranha contam apenas com as pontas dos dedos das mãos e dos pés”, a referência à BD é suportável, mas os dedos dos pés outra vez…

A coisa continua A dupla chegou, aliás, a recorrer a fita adesiva e cola para acelerar a coisa, quais MacGyver da escalada. Não houvesse cordas e…” sim, como a famosa personagem televisiva, a dupla tirou da cartola o truque de colocar adesivo nos dedos para grande espanto da comunidade escaladora…

O resto da história corre ligeira com informações acertadas e fontes bem referenciadas. A reportagem do Observador, apesar do colorido, é de longe a melhor, é notório, e talvez também um sinal dos tempos, tratar-se de um jornal online.

O circo na parede, deu origem a um circo mediático que teve o seu eco também nos Jornais Portugueses, com Obama, Papa Francisco, Homem-Aranha, MacGyver à mistura, a ajudarem a encher o chouriço das belas peças que apresentam aos seus fieis leitores.

A escalada por aqui segue uma coisa estranha que não se entranha. Mas por mais estranha e absurda que seja esta actividade não merece um jornalismo preguiçoso e boçal, é possível fazer melhor e bem, mesmo com um assunto à partida estranho à maioria como prova a reportagem do NYTimes, não digo mandar um repórter com um Pulitzer para o local, mas talvez um pouco de pesquisa, só um bocadinho, estão a ver, sim dedos dos pés dão jeito, mas dentro de sapatos, sim uns sapatos próprios para escalar, chamados pés de gato…pés de gato?…ups.  SM

 

Post Scriptum. Tal como no Inimigo Público parte do conteúdo deste texto se não aconteceu podia ter acontecido….