Vida no Parque

Janeiro 17, 2012

Fazer bloco em Yosemite pode parecer, à primeira vista, um absurdo, no entanto grandes paredes produzem grandes blocos e eles lá estão espalhados por todo o vale. Os blocos são altos, técnicos e a rocha é perfeita. Se combinarmos isto com a história do próprio bouldering em si e com um lugar de uma beleza natural estonteante teremos um sítio perfeito para escalar, demasiado perfeito para estar tão longe. Mas  se o paraíso fosse acessível não seria paraíso.

A produtora Louder than Eleven lança mais um dos seus vídeos grátis para a net fazendo jus ao seu lema: “Free. Whether you like it or not”. Park Life  mostra em meia hora  uma colecção gigante de blocos que mostra bem o que Yosemite tem para oferecer.

Imagem de marca da LT11 é o grafismo 3D produzido por Jordan Shipman que se às vezes peca pelo exagero aqui é muito bem utilizado com os nomes dos blocos a materializarem-se em relevo a partir do granito num efeito verdadeiramente interessante, que ele generosamente explica neste vídeo.

Movidos talvez pelo apelo zen do espaço em si, além dos blocos resolvem brindar-nos com considerações metafísicas perguntando a cada um dos intervenientes a pergunta sacramental – why? – a tal pergunta para a qual ou  não existe resposta ou existem mil  e que aqui parece um pouco desenquadrada da acção. Se os depoimentos, como respostas, pouco adiantam,   permitem-nos por outro lado perceber que estamos na presença de um grupo de “weekend warriors”  como eles próprios se identificam ou seja pessoas “normais” com uma paixão avassaladora pela escalada,  um grupo ao qual pertence a grande maioria dos escaladores ditos “sérios” e como tal o vídeo promove uma identificação mais forte do que o normal vídeo com os ditos “pro’s”. A pergunta correcta não será “porquê?” mas “como?”, como a escalada mexe e transforma a vida de uma pessoa “normal”. 

Da vida no parque vemos muito pouco já que entre blocos e reflexões sobra muito pouco tempo para a mostrar, o que é uma pena.

Uma última nota para o fantástico final, ignorado durante todo o filme, sim, ninguém se digna a escalar o Midnight Lightning, aparece nos créditos finais, numa cena rocambolesca. Esta espécie de assassínio do icon para além de uma afirmação geracional é ao mesmo tempo uma prova da renovação do próprio local que felizmente tem muito mais para oferecer que os gastos blocos iconográficos como muito bem mostra este vídeo. SM

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