Ainda o Rosa Negra

Outubro 19, 2012

Subitamente dei-me conta que tinham passado 11 anos desde a abertura deste, talvez o mais famoso, bloco da Pedra do Urso. Foi curioso ver escaladores a provarem-no pela primeira vez, e constatar que o poder magnético da linha estava lá, esbatido para os olhos cansados de uns, com um brilho ofuscante para outros, ao ponto de se produzirem frases do género: “Era bom poder leva-lo para o quintal lá de casa.”

Uma linha viva, que Américo “Meco” Santos descreve como um “Bloco de continuidade” num texto da revista Montanha nº 6 de Dezembro de 2002 em que se conta a génese desta linha e que vale a pena reproduzir agora que a Pedra do Urso é mais popular do que nunca.

“Depois de uma noite bem regada e bem esfumada pelo toucinho numa festa de aniversário que me deixou em estado de vigília na alugada Casas dos Poços, pertença da família do escritor Alçada Baptista, quando, repentinamente e sem ter pregado olho noite inteira, vejo os pés do Sérgito a descerem do seu beliche. Finalmente alguém tinha acordado após a folia e com reboliço informei-o que o Sol já estava à vista. Fiz questão de arrancar da cama os nossos outros dois colegas de quarto e obriguei-os a despacharem-se. Comemos e fomos escalar. Depois de uma breve passagem pelo sector da Pedra do Urso, estávamos diante da bela Rosa Negra, nós e outros como nós, que a repetiram no dia e em outros dias. Na altura ainda era projecto, cujo nome havia sido dado pelo Francisco Ataíde em honra de uma mancha florestal que recobre uma pequena parte da serra. Quando este teve a ousadia e a mestria de limpar todas as suas presas e de acudir a um inicio numa laje-puxador, que alcançamos deitados no solo, perfazemos, com a saída, uma linha com cerca de 9 movimentos. Tenho a certeza de já me ter pendurado neste bloco antes da sua limpeza total, mas era-me inconcebível sair e, por mais que quisesse, nunca imaginara que existissem presas desde a lasca até ao puxador que alcançamos após os primeiros 4 movimentos, continuamente duros sobre régletes pequenas, praticamente em tecto. Daí para diante é passar uma barriga extraprumada e bastante redonda sobre régletes e áplates, cotada em V4. Há algum tempo que vinha sendo assediada e, naquele dia, já o deveria ter sido. Mantinha o seu aspecto rude e imponente. Porém, nessa manhã de Setembro, o sol brilhava-me atrás dos óculos. Não sei, devia ser da bordoada de Grants que apanhara na noite anterior. Sem nunca ter resolvido a saída deste problema e, já quase sóbrio, visualizei os movimentos mais uma vez. Pus magnésio nas mãos, agarrei-me á lasca semi-solta onde o problema começa e fui-me “agrafando”, fria e suavemente, a cada presa até poder repousar: pôr novamente magnésio e repensar: “Não podes falhar!” Momentos mais tarde erguia-me de pé sobre a majestosa e estava minimamente satisfeito.

Parece-me que quase sonhei com este bloco! Minutos depois apareceu o resto da malta e o José Abreu, que depressa se encarregou de fazer a primeira repetição.”


Quarta-Feira Fotos. Rosa Mesmo Negra.

Outubro 17, 2012

Uma da manhã. Bloco do Rosa Negra. Pedra do Urso. Night Session para o arranque do I Encontro de Bloco da Pedra do Urso. Os mais afoitos, num ritmo demolidor, aplainavam já a pele como se não houvesse amanhã. Escalador: Filipe Carvalho. Foto: Pedro Rodrigues.


Quarta-Feira Fotos: Pistolão.

Agosto 1, 2012

Diogo Lapa recebe preciosas indicações do King, no magnífico Pistolão, Serra da Estrela. Foto: Pedro Rodrigues.


Quarta-Feira Fotos. Pura Vida.

Julho 4, 2012

Nuno Santos arranca imparável para a FA do Pura Vida, no Poço das Ressacas, Serra da Estrela, enquanto outros “trabalham para o bronze”…. Foto: Pedro Rodrigues.


Campeões de Pré-Época

Março 6, 2012
[vimeo http://vimeo.com/37968295 w=700&h=393]

Com um atraso indesculpável de vários meses e com a próxima pré-época quase a chegar, eis aqui uma espécie de retrato da nossa passagem pelo Covão Cimeiro este Verão.

O Covão é um micro spot para afogar as mágoas do blocador esquentado pelas temperaturas sufocantes das pastagens de mais baixa altitude e onde se pode brincar de forma muito aceitável jogando com a exposição solar.

Com a segunda época de desenvolvimento o Covão Cimeiro vai revelando os seus segredos e potencialidades, tratando-se de um caos de blocos de glaciar tem muitas particularidades permitindo mesmo blocos ridiculamente divertidos e únicos, como o Divã, o único bloco que conheço que começa sentado e acaba sentado…

O Bloco é um jogo e o terreno de jogo que puxa mais pela imaginação é o caos, cada linha exige desobstruções, tapar buracos, bizarras movimentações de crashs, e spoter’s experientes, tornando possíveis situações à primeira vista impossíveis. Este é o caminho a seguir à medida que as linhas mais óbvias vão sendo feitas.

Aos poucos a Serra da Estrela vai-se compondo como uma área de Bloco total, com alternativas para o Inverno e Verão, blocos no lado Leste, a Pedra do Urso, e agora no lado Oeste, a Lagoa Comprida e outras zonas no miolo. Uma pequena comunidade local desenvolve-se também dos dois lados, Seia e Covilhã, desfrutando de um “quintal”, no mínimo, de luxo. SM


NBabugem. A Verdadeira Carapaça Kong.

Fevereiro 29, 2012

Habituado ao etilo penoitiano, “King” fica KO, e tenta recuperar forças dentro da “Carapaça Kong”.


NBClássicos. Knockout

Dezembro 19, 2011
[vimeo http://vimeo.com/33879175 w=700&h=393]

Há problemas que estão destinados a ser clássicos instantâneos. Pela sua localização, estrutura e singularidade da formação rochosa, beleza e evidência dos movimentos, solidez da rocha e para finalizar, ou aterrar, uma boa zona de queda.

Estas raridades, porque estamos a falar de verdadeiras raridades aqui, às vezes fazem-se difíceis quase inatingíveis, outras vezes são fáceis a um ponto que nem nos apercebemos que são clássicos, tão depressa são escalados, estes são os rarissimos pois permitem exercitar uma característica também ela rara nos escaladores: a sensibilidade.

Estas características estão bem presentes no Knockout na Área 32 da Pedra do Urso. Nem extremamente difícil nem fácil. Uma pala de rocha delgada que apresenta, como única ponto fraco, um alvéolo perfeito, somente com duas presas, exactamente as necessárias para permitir passar por ele.

Escalado pela primeira vez por Fernando Branca em 2004, com um método um pouco mais duro do que hoje é o método consensual, foi repetido pouco tempo depois por Júlio Braga que ainda acrescentou uma variante de entrada a começar no problema da esquerda, o Falha de África, naquilo que viria a tornar-se o Africaout.

Assim para que ninguém perca estas pérolas absolutas da Area32, o Sérgio Silva mostra-nos como se escala o Knockout e o Filipe Carvalho o Africa0ut.