Quarta-Feira Fotos. Saphira.

Novembro 16, 2011

Em plena Cova do Garrano, Corno de Bico, Filipe Carvalho trabalha o mítico Saphira. Foto: Oldemiro Lima.


Os Sete Pilares do Bouldering. VI Táctica.

Junho 29, 2011

VI. Táctica. Jogo de Cabeça.

A táctica é o patinho feio dos pilares, no sentido em que não é heróica. Os estrategas são da sombra, maquinalmente jogam xadrez com as presas e as condições meteorológicas, pesando a humidade contra o vento dominante, avaliando a temperatura sem esquecer a sensibilidades térmica. Detalhes e mais detalhes formam a seda da fina teia do encadeamento.

A táctica é inimiga da emoção, logo inimiga do herói romântico. É tudo menos emocionante conceber uma estratégia para realizar um bloco, em vez de emotivamente saltar para arena, cair nas garras do bicho, e lutar cara a cara até cair para o lado. A consciência faz de nós cobardes, dizia Hamlet, também ele um táctico que se martiriza constantemente por ser incapaz de reagir a quente.

Feita a diabolização da táctica vamos tentar ver porque precisamos dela ou melhor como nos podemos servir dela sem comprometer o herói que existe em cada um de nós.

Jamie Emerson no seu excelente B3, a propósito da famosa passagem de Dai Koyamada  pela Suíça no Outono passado, escreveu esta frase lapidar: “Should he climb Big Paw it is clearly not just an achievement of the body, but one of a well working brain”. E isto diz muito e quase tudo, aplicar o pensamento lógico é geralmente uma coisa que nos distingue dos nossos congéneres amigos animais e, na escalada, aplicar a reflexão lógia na prática faz com que nos distingamos dos nossos primos macacos. Portanto, se temos à disposição um cérebro podemos e devemos faze-lo trabalhar a favor dos nossos encadeamentos. Os resultados podem ser surpreendentes.

À medida que as pedras vão crescendo a táctica vai assumindo mais protagonismo, algo válido do lowball Diz Não à Droga na Pedra do Urso até ao Everest, a maior de todas as pedras. Porque simplesmente aumenta o perigo e esse no bloco aumenta exponencialmente à medida que os metros aumentam até se entrar na difusa fronteira do solo integral.

Como podemos minimizar tacticamente o perigo potencial?

Primeiro arranjar um segurador de confiança e experiente, alguém que esteja de facto centrado no escalador e não a aprender os movimentos ou a ver as vistas de mãos nos bolsos. Ter um grupo de companheiros motivados, não na competição mas na segurança e no sucesso dos outros, é algo raro e potenciador de energia. Algo de que todos irão beneficiar, pois este é um jogo em que os papéis alternam constantemente.

Não hesitar em usar todas as crash’s disponíveis, sem cair no facilitismo de pensar que por haver uma “cama de cras’s” o perigo desapareceu. Tendo ainda especial atenção com os desníveis buracos entre crash’s.

Analisar os ângulos de queda potencial para colocar as crash’s e se for preciso usar o conhecido truque de atirar a pedrita do cimo do bloco para determinar a zona de queda.

Antes de ir a um bloco alto é necessário analisar como descer dele, sabemos que no topo é mais fácil e evidente descobrir como se desce como também é fácil descobrir que não dá para baixar, por isso é bom precavermos o assunto e evitar situações, no mínimo embaraçosas, tendo algum material de escalagem na bagageira da viatura.

Tudo visto, tudo medido, a partir de certo ponto é sempre melhor não cair e aí cada um tem de saber até onde pode ir, até onde pode esticar a sua habilidade. A ideia de pensar antes de agir serve, em última análise, para garantirmos uma certa longevidade saudável e com algum sucesso também no nosso jogo preferido, que é o que interessa no fim das contas.

Quem quiser saber ou recordar mais pormenores tácticos, ver em Artigos o artigo Dai o Táctico, onde exploramos, através da actuação deste brilhante escalador, uma série de pormenores que podem fazer a diferença.

Não posso deixar de agradecer para este vídeo em particular o trabalho de câmara de Pedro Rodrigues assim como a segurança activa, exactamente um exemplo daquilo que foi dito atrás. SM


Os Sete Pilares do Bouldering. V Resiliência.

Maio 20, 2011

V. Resiliência. Levantado Do Chão.

Resiliência. Levar porrada, ir ao tapete, levantar-se e continuar a combater. Isto é boxe, e também é bouldering, com a diferença que para nós os rounds podem durar dias, meses, épocas, anos.

Quem não passou por isto nunca fez bloco. Quem nunca foi ao tapete por nockout, quando rebenta uma presa, nunca abriu blocos. Quem nunca perdeu por KO técnico, nunca aprendeu a colocar os pés. Quando soa a campainha, e saímos derrotados para o canto das frustrações, é preciso dar provas de resiliência e lutar mais uma vez.

O Filipe, como delfim da companhia, leva “porradinha de criar bicho”, dos blocos entenda-se, tem um poder de absorção enorme e geralmente, como convém, sai mais forte das provações, acabando por levar a água ao seu moinho. Fazendo a resiliência confundir-se com persistência.

O “Pata Negra” é produto da sua delirante imaginação e teimosia. Tem a mesma entrada do “Grão de Bico” derivando depois para a esquerda com uma grande abertura e posterior cruzamento ao encontro de um cristal assassino devorador de pele, numa sequência marcada pela grande qualidade ao nível do movimento. A saída é para especialistas em cristaleiras altas, com um high-step especialmente problemático. É ainda um bloco difícil de proteger devido à existência de um calhau na base, exigindo mais crashs que o habitual.

Vendo a FA fugir-lhe por entre os dedos na época passada, não esmoreceu, voltou mais forte e executou o bloco à primeira oportunidade, ser resiliente compensa, dizem. SM


Quarta-Feira Fotos: Enigma

Maio 4, 2011


Os Sete Pilares do Bouldering. III Força.

Maio 1, 2011

III. Força. O Labirinto dos Enganos.

Força. Todos queremos mais força, mais power. Nunca parece ser suficiente. Embora a escalada em rocha seja muito diferente de “puxar” de presas e a força seja apenas um dos pilares, este é muitas vezes venerado como único e suficiente.

Não devendo ser um factor sobrevalorizado também não deve ser subestimado. Se o “rei das campus” vai sempre encontrar “becos sem saída” técnicos, o “pezinhos de lã” também encontrará movimentos impossíveis de contornar sem usar força bruta. O ideal, como sempre, é um equilíbrio e adquirir as doses necessárias para aquilo que pretendemos fazer.

Para ilustrar este capítulo um bloco exemplar: O Labirinto (V13 cs) em Corno de Bico uma FA do Júlio Braga de 2010. Força de dedos, para as fugidias presas iniciais e para a pinça intermédia. Força de “core”, para o movimento de arranque onde as presas de pés são decorativas. Força na mão, para o áplate onde é feito o cruzamento. Força mental, para conceber os movimentos, liga-los e por fim esperar pelas condições certas para concretizar o encadeamento.

Se o Júlio pode ser a personificação de todos estes elementos definidores de força, também carrega e carregou, muitas vezes sozinho, às costas todos os outros pilares do bouldering.

O labirinto da força, onde muitos se perdem e nunca de lá saem. O labirinto do bouldering, onde o templo da força é ritual obrigatório de aprendizagem e passagem. O labirinto da vida, onde a escalada, como ritual de ascensão e logo de purificação, poderá servir se não de chave pelo menos de paliativo existencial, como outro amigo meu, também forte como tudo, gosta tanto de me lembrar.

Para a semana o quarto capítulo: Técnica. Dançando Com as Placas. SM


Os Sete Pilares do Bouldering. I Agressividade.

Abril 4, 2011

Os “Sete Pilares do Bouldering” foi uma ideia que surgiu com um clip que já apareceu por aqui, chamado “agressividade”, entretanto constrangimentos vários não permitiram desenvolver o projecto.
Retomando a ideia de uma espécie de web-série que definisse o bloco em sete episódios, ou pelo menos o conceito NB, tentamos dar continuidade ao mesmo. E para, redundantemente, se começar pelo início volta surgir o clip da agressividade com algumas imagens novas, alguns efeitos a mais e a menos, mas mantendo a mesma estrutura: Agressividade, Um Minuto em Corno de Bico, tentando condensar num minuto a experiencia de escalar em Corno de Bico sob o signo da agressividade.
Porquê a agressividade como característica inerente ao bloco? Este segmento tenta retratar uma espécie de dualidade inerente ao bloco em granito: a agressividade da rocha em si, e a agressividade que é necessário imprimir à escalada para executar movimentos no limite pessoal de cada um. O Bloco não é de meias medidas, um dia morno e preguiçoso significa usar as crashs para sofá, precisamos estar dispostos a ver sangue, o nosso entenda-se, a dar 100% numa espécie de “Fight Club” pessoal.
Um bom sinónimo de agressividade é combatividade, uma palavra que se adequa ainda melhor ao bloco só que não traduz a tal dualidade expressa atrás.
Para a semana o segundo capítulo: Exploração, Calcedónia a Última Fronteira. SM


Quarta-Feira Fotos: Picaranha

Fevereiro 9, 2011

Um bloco NB:)+, Picaraha (V10), sector Picaranha, Corno de Bico. Escalador: Filipe carvalho. Foto: Pedro Rodrigues.