35

“We all have dreams, but they don’t mean much if we don’t act on them.”

De vez em quando acontece, muito raramente, mas acontece. Surgem estas coisas vindas do nada e que nos mergulham numa catarse existencial. Que nos fazem voltar atrás, rebobinar, como antes se dizia. Rebobinamos o vídeo, em busca das palavras perdidas, rebobinamos a nossa própria vida em busca dos sonhos perdidos.

As palavras fogem-me, rápidas, mergulhadas num turbilhão de música e imagens bem calibrado, estranhamente é nelas que reside o poder, são elas que temos de seguir.

Mais uma vez. Como? Sim. “Este, é por ficar encharcado numa tempestade, pelos desenhos animados ao Sábado de manhã e por cães de três patas que correm…Tento coleccionar momentos e quando olho para o filme, para o filme da minha vida, é fácil de falhar as coisas boas, a magia.” Sim, sim e sim.

Aproveitar cada segundo. Carpe Diem, como no filme, o outro, e este também já agora. O sonho move a escalada? É a escalada matéria dos sonhos? É fácil acreditar que sim depois de ver este objecto ultra-romântico. Uma apologia da fuga à realidade e à captura sensorial dos momentos fugazes que nos escapam da vida, como a areia nos escapa da palma de uma mão aberta. Um devaneio lírico num mundo de razão. Sim, é talvez isso o melhor da escalada, um elevador para longe da realidade.

De onde é que isto apareceu. Um pouco de investigação e chegamos à websérie the Season, de que falamos aqui a propósito da primeira temporada, entretanto fizeram mais uma que pelos vistos foi a última. Os produtores são os mesmos a: Duct Tape Then Beer, e as palavras são de Brendan Leonard.

Um amigo meu uma vez disse-me que olhar nos olhos o seu filho recém-nascido o marcou para sempre. É fácil de acreditar e abraçar esse momento. Aconteceu, não aconteceu. Para ele aconteceu e será, talvez, esse olhar que verá quando os seus próprios olhos se fecharem para sempre no piscar de olhos que é a vida. SM

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8 Responses to 35

  1. MC diz:

    E para quando um intitulado de “35 hp”? A máquina impressora “digital” 🙂

  2. Pedro Rodrigues diz:

    Bem pensado, bem contado, bem filmado. Sabem bem estas pedradas no charco, que fogem aos lugares comuns. Simples e com muito bom gosto. E já agora, um texto ao nível.

  3. Fernando Santos diz:

    cheio de classe esse “elevador” no teu discurso.

    • nortebouldering diz:

      Na espuma dos dias às vezes, ou muitas vezes, esquecemos a essência das coisas, este pequeno grande filme de 4 minutos, que demorou um ano a fazer, apenas faz sobressair o melhor da escalada, como veiculo e não como fim. A escalada pode ser as asas que nos colocam num local no preciso momento em que o céu se tinge de vermelho e o tempo se suspende, como pode ser um inferno de autocomisseração e um lastro que nos ajuda a afundar no poço do ego. Cada um que escolha. Obrigado pelo comentário.

  4. Rui Rosado diz:

    Também interessante de ler sobre a produção do texto do filme 35

    http://semi-rad.com/2013/04/a-bunch-of-dreams-one-film-the-making-of-35/

  5. VBaptista diz:

    UUHHH o Monstro do Ego… dizem por ai que tem umas garras peganhentas à semelhança do magnésio 8Cplus que quando entranha dificilmente nos livramos dele. Ao que dizem o Monstro tem aparecido pelas Montanhas em forma de pontos, fazendo subir ou baixar os rankings do Ego… mas ao que parece ainda existem alguns Guerreiros protectores do Ego e das Montanhas que deambolam sozinhos na esperança de conseguirem a salvação do escalador…

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