Entrar na “Ilha”, para mais um Domingo Tempestuoso.

Enter the Wolvo, é a última produção do que se poderá chamar “The Island” uma espécie de colectivo onde Dave Graham parece pontificar como mentor.

Dave Graham é um caso à parte na escalada, com um número incontável de blocos e vias encadeados na sua algibeira e muitos delas referências absolutas nos seus graus, é também um explorador e pioneiro por natureza, buscando sempre novos terrenos e blocos. Com uma imagem muito pouco atlética e opiniões muito fortes, está longe de ser um modelo. Gosta de falar e muito, estando sempre a brotar da sua fértil imaginação discursos mirabolantes que procuram explicações teóricas rebuscadas para as subtilezas do nosso desporto, lembram-se da “psicosincronização”…

É por isso normal que criando esta espécie de produtora quisesse fazer algo diferente, criando mais um produto da sua imaginação por natureza provocadora. E, é caso para se colocar a seguinte questão, com este filme de 35minutos sobre os blocos abertos no Verão em Wolverineland, Lincoln Lake, Colorado: Terá o filme de escalada entrado na modernidade?

Há um comentário paradigmático na página do Vimeo onde está o filme, diz alguém: “I don’t know how you manage to captivate and compete for attention in the never-ending HD race with such low quality footage, but you’ve managed it again. I’d be really interested to see what you churn out with some nice equipment and lighting…” responde Chad Greedy: “we actually use very nice equipment …”

Os produtores da Island tentam aqui deliberadamente introduzir conceitos visuais e estéticos que geralmente estão arredados dos filmes de escalada mais recentes, onde a perfeição estética da recolha de imagem, uso de gruas, dollys, etc parece aproximar-nos mais do cinema profissional, sendo o filme “Pure” um exemplo disso mesmo.

O uso da câmara na mão, a voz omnipresente do camara man e imagens maioritariamente não tratadas, revelam uma tentativa estilística próxima do Cinema Verité, que pelo menos ao nível do desconcertante e provocação do espectador é plenamente conseguida. Já o uso do slipt screen, uma técnica que não é nova e é usada extensivamente, por exemplo, na série 24horas com bastante precisão como recurso narrativo dando uma sensação de ubiquidade ao espectador na acção, aqui, não existindo narrativa com é típico de um filme de escalada, aparece como recurso meramente estilístico, o que usado mais do que uma ou duas vezes se torna cansativo e incipiente.

A posição destes escaladores na “cena” actual mundial e na própria história da escalada torna o produto um sucesso à partida, sucesso potenciado pela distribuição grátis na net. Os blocos e os encadeamentos estão todos lá, mas embrulhados de forma diferente. Uma espécie de pedrada no charco mediática da escalada que pode ser a abertura de um caminho para mais experimentalismo e inovação o que é sempre muito bem-vindo. SM

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4 Responses to Entrar na “Ilha”, para mais um Domingo Tempestuoso.

  1. Pedro Rodrigues diz:

    Tinha tentado ver o filme na sexta, mas talvez devido ao número de afluências estava impossível. Quando finalmente o consegui ver, ao final de 2 minutos pensei “Meia hora disto? Não vou aguentar até ao fim”. Mas aguentei e no final pensei novamente “Na verdade o que mais importa é a qualidade dos blocos e dos escaladores.” Sem gajos a encadear bons blocos, não há grua que valha.

  2. Fred diz:

    Eu adormeci a ver a primeira vez que o tentei ver, à segunda tive que acelerar algumas partes. Provavelmente a culpa não é do filme, mas ultimamente os filmes de escalada dão-me tanto sono como ver desenhos animados.

  3. nortebouldering diz:

    Não é por acaso, que a filmografia de escalada se designa geralmente por “pornclimb”. E este filme é mais “pornclimb” a juntar ao “pornclimb” existente.
    Agora o que interessa analisar é se o exercício estilístico tentado foi bem conseguido ou não. A meu ver e, como referi, foi bem conseguido ao nível da provocação, basta ver as reacções de repulsa que provoca. Agora ao nível estético o exercício de estilo é meramente gratuito. A nota francamente positiva vai para a tentativa de fazer algo diferente, sendo este sempre um produto para as margens e não para o “mainstream” . E é muito importante que as margens existam e sejam alimentadas pois é esse o espaço natural da experimentação, que como se sabe é de onde surge a inovação.

  4. crash pad dummy diz:

    …música fabulosa, blocos com movimentos bem loucos, actores motivados. Pornclimb, sim, mas porno chic…

    …quanto ao “split screen” e à ubiquidade, não é isso que buscamos hoje em dia? Sinais dos tempos.

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