Why Do We Climb?

 O fotografo francês  Alexandre Buisse tenta responder a esta clássica e pertinente pergunta, à qual segundo ele “algum dia todos teremos de responder”, da melhor forma que sabe, isto é, fazendo um slideshow com as suas melhores imagens. Maioritariamente são  imagens de montanha apresentadas com uma montagem muito rápida, pausando apenas quando as respostas/perguntas surgem e ficam a pairar numa espécie de limbo imponderável, precisamente o terreno onde depositamos as nossas motivações.

Porque escalamos? Pelo desafio? Pela beleza? Pela liberdade? Pela emoção? Pela vastidão (wilderness será mais lugar selvagem, pelo lado selvagem, seria mais correcto, talvez)? Pela fraternidade? Ou simplesmente…porque está lá?

O resultado é um pouco de tirar a respiração perante o esmagamento da beleza das imagens conjugado com o encadeamento rápido da apresentação. No turbilhão das perguntas poderemos encontrar quem sabe uma resposta ou pelo menos interiorizar um pouco a nossa actividade, quantas vezes afastada destes bons caminhos.

O lendário escalador americano Jim Donini hoje com 67 anos e ainda a apertar bem forte, deu uma vez num filme qualquer uma resposta que me deixou a pensar e que me parece incontornável. Questionado sobre porque escalava e principalmente porque continuava a faze-lo de forma intensa com a idade que tinha, responde: “ Escalo porque me relaxa”, “ Quando escalo não penso em mais nada e isso de certa forma relaxa-me”. Uma resposta aparentemente simples mas plena de maturidade e que até agora é uma das melhores que conheço. SM

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9 Responses to Why Do We Climb?

  1. Flip diz:

    Boas fotos. Foi esperto o Buisse, fotografou os ingredientes para dar a impressão que respondia à pergunta… e assim cada um escolhe o que lhe vai melhor e 99% dos escaladores revêem-se neles. E no entanto… há mais entre a rocha e os olhos do que o que as vâs câmaras fotográficas conseguem apanhar…
    Abc

    • nortebouldering diz:

      Seja bem-vindo a este tugúrio.
      No seu início muitos temiam que a máquina fotográfica capturasse a alma do fotografado aprisionando-a numa folha de papel, agora queixamo-nos que a fotografia não capta a alma, nomeadamente a alma da escalada. Mas, não são só imagens, existe a música e principalmente as palavras associadas às imagens, perguntas que são respostas e respostas que são perguntas, formando um enigma impossível de desvendar, porque nem as imagens nem os sons nem as palavras conseguem formular o invisível ou o indizível que nos atrai para as montanhas de 8 ou 8 mil. SM

      • Pedro Rodrigues diz:

        Quase verti uma lágrima.

        A eloquência do discurso deste “blog” é verdadeiramente desconcertante… Confesso que começo a ter de recorrer ao dicionário. Para aqueles que são tão parcos em vocabulário como eu , aqui vai uma ajuda:

        tugúrio
        (latim tugurium, -ii)
        s. m.
        1. Habitação rústica. = cabana, casebre, choça
        2. Fig. Local onde alguem se pode abrigar. = abrigo, refúgio

        Daqui se pode compreender que esta é uma choça… com nível.

      • nortebouldering diz:

        Seja bem vindo a este lupanar do grau, wikirodrigues.
        Mas o pranto iminente, deveu-se ao visionamento do slideshow do Buisse, e à descoberta tardia do sentido da escalada?

  2. Pedro Rodrigues diz:

    A verdade é que sempre foste um pouco alcoviteiro.

    A comoção adveio da apreciação do estilo filosófico que usas para assestar o teu ponto de vista, enfatizando-o através do uso sistemático de antíteses. Paradoxal e profundo.

    As fotos estão jeitosas, a música é merdosa… ups… desculpa a linguagem burlesca.

    • nortebouldering diz:

      Este seu criado pede imediatamente desculpa. A catarse alheia traz sempre ao de cima o pior que há em mim. Mas, imaginar-te igual ao “quadro do menino da lágrima” a ler estes comentários logo me apazigua e passo instantaneamente a acreditar no bem universal.
      De resto o vernáculo é bem-vindo neste tugúrio, e fazes bem em escarnecer livremente da música do Buisse.

  3. Flip diz:

    …Conseguem sim, em havendo arte. Mas à falta dela é verdade que as respostas diminuem a pergunta. O Buisse apenas jogou ali com um sentimentalismo fácil baseado em imagem/efeito psicológico, mas aí bem conseguido.

    • nortebouldering diz:

      Bem vindo de volta a esta habitação rústica.
      Não era suposto discutir as virtudes do diaporama do Buisse, que não serão muitas, pois se o fossem deveriam despoletar uma vontade incontrolável de cada um partilhar o porquê de escalar e não de zurzir no diaporama.
      Assim, se calhar todos escalamos porque… as paredes e as montanhas estão ali.

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