Um Mundo Perfeito

Dezembro 5, 2010

 


Quarta-Feira-Fotos: – 4×4 de Dedos -

Outubro 20, 2010

Manuel Soares tenta uma maravilha de dois movimentos: 4x4 de Dedos (V11), em Corno de Bico; Foto José Abreu.


Inicio de Temporada

Outubro 6, 2010

Pedro Rodrigues no Cavalo de Pedra (V8+), Vaticorno, Corno de Bico, Foto: Pedro Rodrigues

Inicio de temporada em Corno de Bico, no novo sector “Vaticorno”. Vale a pena transcrever o críptico comentário de Marco Cunha anunciando a descoberta do dito sector porque, por bula papal, deste texto apócrifo surgirão os nomes dos novos blocos do Vaticorno, assim, com a devida vénia:

“Poderá uma mensagem antiga gravada numa rocha revelar um segredo há muito escondido? O novo romance de Dan Boulder leva-nos à busca pelo Santo Graal e a Linhagem Sagrada.
Os Cavaleiros da Ordem da Escova d’Aço lançaram no passado uma cruzada contra os líquenes e musgo na tentativa de encontrarem o Santo Graal e a Linhagem Sagrada. Alguns dos especialistas em escalada antiga, referem que estes conseguiram esconder esses segredos até aos dias de hoje. Outros especialistas referem que as provas apresentadas são dúbias, refutando por completo estas teorias e dizendo que tudo não passa de uma lenda. Há quem defenda que após a extinção da Ordem, os segredos perderam-se para sempre. No entanto, alguns aludem para o facto de a Ordem ter evoluído para uma sociedade secreta com o mesmo nome, e que ainda hoje são os guardiães dos segredos.
Este é o início que arrasta Roberto Langonha, especialista em Mitrologia e Escalada Antiga, para mais uma aventura. Uma mensagem antiga é encontrada no Museu do Vaticorno. Robert Langonha, descobre que algumas das obras de arte aí presentes encobrem várias cifras. Entusiasmado com a sua descoberta, começa a reler alguns ensaios sobre crimptologia, e chega à conclusão que estes referem a existência de um código à volta do número 20 para resolver apenas um passo, e verifica que esse código poderá estar relacionado com o Santo Graal. Descobre ainda uma deturpação do significado das palavras Santo Graal e conclui que a etimologia da palavra Graal poderá estar relacionada com Grau. Santo Grau. O assunto atiça-lhe a curiosidade e começa a fazer uma investigação mais abrangente sobre o Estado do Vaticorno. Dados reveladores emergem de dentro de várias criptas do Vaticorno. Verifica aí um elevado número de passos que foram Caninizados pelo Papa. Robert Langonha percebe então, que a Caninização dos Problemas está directamente relacionada com o Santo Grau. Perante tal descoberta e na tentativa de compreender o que é mito e realidade, lança-se em busca do Santo Grau e da Linhagem Sagrada.
Será que Roberto Langonha descobrirá esses segredos escondidos? Depois de todas as provas indicarem o Estado do Vaticorno como o reduto do Santo Grau, será que a Linhagem Sagrada existe? E se existe, será esta apenas uma ténue linha genealógica com poucas ramificações? E outro aspecto não menos importante, será que etimologicamente falando Santo Graal advém de Santo Grau, ou outras realidades poderão levar a etimologia da palavra para o não menos mitológico SANTO GRÃO?
Algumas respostas a estas perguntas poderão encontrar-se em O Código Dá Vinte, até que novas verdades surjam.”


Grão de Bico

Abril 13, 2010

Pode um bloco ser a síntese de toda uma zona? Se sim, para Corno de Bico esse bloco é o Grão de Bico.

Alto, difícil, frágil e alta qualidade ao nível do movimento. Estas são as características principais deste bloco e são também as características de Corno de Bico. Até o tipo de presas é o mais comum: régletes e cristais.

Quatro presas em quatro metros e meia dúzia de cristais na saída são o suficiente para subir ao topo deste bloco, que possui ainda uma característica rara: levantar o pé do chão é já duro, uma situação desesperante e que atesta a pureza da linha em si.

O Arranque em duas régletes opostas é explosivo, mas compensado com a presa de chegada, um puxador, no qual não vale a pena parar muito pois segue-se um dinâmico para uma réglete perfeita que é preciso executar em deadpoint. Tendo ganho a réglete atinge-se a saída, que se negoceia com cristais bem separados uns dos outros, numa situação já bem aérea. Uma dobragem dura e de decisão marca assim o fim deste bloco de antologia. Todo um programa para um bloco aberto e encadeado como sempre pelo grande explorador da zona: o Júlio Braga. SM


Enigma, a Máquina

Dezembro 30, 2009

Enigma, decifrando a saída. Escalador: Júlio Braga; Fotos: Oldemiro Lima.

Um Verão de treino específico, dezenas de tentativas para…um passo. É qualquer coisa.  

Um escalador, quando criativo, é um caçador de linhas. Sempre à procura de pedaços de rocha novos onde aplicar a sua imaginação. Quanto mais escala, mais vê. Quanto mais “abre”, mais educa o seu olhar. Já não vê, sonha acordado.  

Prisioneiro de uma busca incessante. Muitas vezes é essa busca que o define, outras, é o objecto da própria busca. Então, em raras ocasiões, aparece uma via que funciona como o espelho perfeito do escalador.  

Este bloco, o Enigma, acaba por ser esse Bloco para o Júlio Braga: complexo, extremamente poderoso e exposto. Exigindo, desde o início, uma determinação e resiliência fora do comum: descobrir os movimentos, experimentar, falhar, treinar especificamente, tudo isto ao longo de meses.  

Acaba de ser encadeado na versão drop off (V13 cs). E o processo começa de novo, para enfrentar a continuação, desta vez associando a dificuldade pura à exposição.  

Mas, o que é o Enigma?  

Um muro de 30º. Um arranque sentado a duas mãos numa réglete diagonal, leva a outra réglete que se apanha com a ponta dos dedos em extensão e aí, devido ao posicionamento das presas, o corpo começa a torcer. É necessário dominar essa torção ao mesmo tempo que a mão passa de extensão para arqueio. Este é o famoso movimento. Mas ainda faltam mais 12 pelo menos. A mão esquerda passa para uma inexistência, para equilibrar e toca a blocar mais uma lâminas até umas boas régletes que marcam o meio do bloco e servem de drop off para a primeira versão em V13. O resto é um bloco por si só e está em trabalho ou decifração, ainda. Alto e exposto, apresenta um final digno do começo, isto é, não dá tréguas até ao puxador final.  

Acabamos o ano a falar de um projecto. Meio feito, meio por fazer. Meio em 2009, meio em 2010? Não se sabe. Nunca se sabe. Mas, nada como fazer a transição com um monte de projectos às costas. Os que estão longe, tão longe que não se vê luz ao fim do túnel e aqueles que estão perto, tão perto, que quase ficaram feitos. Bom 2010.  

  


Caveira Mágica

Novembro 27, 2009

Corno de Bico, outra vez. Correndo o risco de os maçar com este bloco, pois está amplamente documentado no “Abertura de Caça”, faltava no entanto alguma coisa: a concretização, isto é, fazê-lo.

Apesar de este ser um vídeo do estilo curto, algo a que poderíamos chamar “VídeoBloco”, um vídeo um problema, tentamos ir um pouco mais longe e mostrar as tentativas, os falhanços e as viagens frustradas pelo mau tempo. A insistência talvez. Motivação para uns, determinação para outros. Sem isso, podemos ser hulk’s, malabaristas ou fakir’s, mas não chegamos lá.

O Caveira Mágica, propriamente dito. Mais um bloco descoberto, aberto e encadeado pelo Júlio. Partilha o extraprumo com o Cubo Mágico. Movimentos amplos levam-nos ao lip onde travamos conhecimento com os simpáticos cristais de Corno de Bico, aqui, num movimento largo, aprimorado tecnicamente pelo José Abreu, desviamo-nos para a esquerda. Posicionamo-nos para colocar o calcanhar com absoluta precisão num dos cristais anteriores, e blocamos a fundo para uma presa que é todo um programa. Apanhada mal ou bem, começamos a tentar ganhar centímetro a centímetro, agarrando o que podemos do lado esquerdo, numa posição extremamente desconfortável e…bastante arriscada…para os huevos, para no último segundo lançar para um puxador salvador. Este era o método original, eu usei uma sequência ligeiramente diferente, num passo explosivo trago o pé direito para esquerda conseguindo assim um dinâmico para o puxador mais controlado e…não arriscando tanto, vocês imaginam o quê.

Esta última sequência é a que faz toda a diferença no bloco, em comparação com o seu vizinho, o Cubo Mágico, uma linha muito mais perfeita e directa. Pois, no final de tudo ter de explodir naquele passo é desesperante, e de cortar a respiração, de tal maneira que quando chegamos à placa e tudo acaba, a descompressão é tal que é necessário ordenar ao corpo para se mexer de forma a fazer os últimos passos que levam ao cimo do bloco.

 Duas grandes linhas, grande ambiente, Corno de Bico no seu melhor.


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