La Obsesión

Fevereiro 13, 2012

A figura do Dani Andrada não é estranha a ninguém. Uma das figuras mais proeminentes da escalada espanhola, daqueles que quando está na falésia toda a gente nos arredores sabe quando falha um passo.

Haroun Souirji, o mesmo realizador do último filme de bouldering, “Better Than Chocolate”, oferece-nos esta espécie de biopic sobre Dani Andrada, la Obsesíon, onde este fala sobre a sua vida, motivações e a educação. Este particular aspecto, surge através da discussão, sempre problemática, da massificação da escalada e da educação dos escaladores que frequentam as falésias mais em voga nos últimos tempos.

Não obstante disso, fica-nos um excelente clip, com uma certa profundidade filosófica, digamos e, com um excelente trabalho de imagem que vem marcando a evolução dos filmes de acesso livre de escalada. Filipe Carvalho.


O Aprendiz de Feiticeiro

Fevereiro 6, 2012

 

Tivemos a oportunidade de ver o mais “esperado” filmes dos últimos tempos: The TheWizard’sApprentice – Adam Ondra . E no fundo, o que ficou foi uma espécie de desilusão. Desilusão que pode ser extensível à generalidade dos últimos filmes de escalada. A falta de conteúdo ou de “alma” que garantam alguma profundidade continua a ser a pedra de toque, fazendo a escalada parecer um desporto vazio, onde as pessoas se limitam a subir paredes sem qualquer sentido.

O filme começa pela estória do próprio Adam. Onde e quando começou, e o interesse que despertou nas primeiras vezes que começou a frequentar os ginásios locais e nas primeiras competições que ganhou. Apercebemo-nos que o apoio dos pais é um aspecto fulcral na sua vida de atleta o que nos faz lembrar que estamos ainda na presença de um adolescente.  

 Do Frankenjura,  à espectacular Sardenha, da badalada Catalunha aos blocos da Suíça, seguimos Ondra na sua habitual razia, destacando-se talvez, na Sardenha, a via Marina Superstar um  impressionante extraprumo a 60º, onde podemos apenas apontar algumas falhas técnicas em que, na mistura de diferentes planos nos apercebemos do uso de câmaras diferentes com qualidades distintas.

 É sem dúvida alguma impressionante ver o Adam Ondra escalar, tem um estilo muito distinto e o que faz é preciso e pensado. Ainda mais impressionante, mas pela negativa, são as birras e os berros que liberta quando falha. Torna-se até desconfortável, dando necessidade de baixar o som das colunas. Tudo isso atinge o culminar na Golpe de Estado! Em relação a isto, pelo menos temos a explicação da mãe que justifica as birras, afirmando que qualquer miúdo quando falha chora e que, quando o Adam atingiu uma certa idade, aconselhou-o a berrar e a dizer asneiras. Também aqui a sombra dos pais é omnipresente contextualizando tudo, das performances aos berros, pais e filho constituem, neste filme, uma espécie de trindade que bem ou mal marcará o que se poderá chamar o primeiro capítulo da vida do fenómeno Ondra.

 O filme é ainda marcado pela presença de vários escaladores “famosos”, como por exemplo, Alex Huber, com uma participação, um tanto ou quanto “triste”, acerca do sistema de graduação, afirmando que é um sistema algo vago e que mais cedo ou mais tarde teria de aparecer um escalador forte para esclarecer isso, sendo esse escalador o Ondra. Bem, não há dúvidas que é um escalador fortíssimo, mas antes dele, existiram / existem outros que foram elevando as fronteiras do que se pensava possível, como por exemplo, Chris Sharma. Ondra terá sido o que repetiu as vias do próprio Huber e as contextualizou temporalmente na efémera tabela das vias mais duras, colocando assim Huber no lugar histórico que ele pensa lhe estar reservado, e se calhar bem.

Por último uma nota para o narrador que demonstrando um total alheamento da escalada, talvez cego pela realidade sobre-humana do aprendiz de feiticeiro, permite-se considerar vias e blocos entre o 9ª e 8B como fáceis. No total é um filme que vale a pena ver, nem que seja para nos apercebermos que nem tudo é dado, mesmo sendo um prodígio como o Adam. Está muito trabalho envolvido, muita dedicação e paixão pelo desporto e, no fim de tudo, só nos resta perguntar. O que irá fazer o Adam a seguir? Filipe Carvalho


Vida no Parque

Janeiro 17, 2012

Fazer bloco em Yosemite pode parecer, à primeira vista, um absurdo, no entanto grandes paredes produzem grandes blocos e eles lá estão espalhados por todo o vale. Os blocos são altos, técnicos e a rocha é perfeita. Se combinarmos isto com a história do próprio bouldering em si e com um lugar de uma beleza natural estonteante teremos um sítio perfeito para escalar, demasiado perfeito para estar tão longe. Mas  se o paraíso fosse acessível não seria paraíso.

A produtora Louder than Eleven lança mais um dos seus vídeos grátis para a net fazendo jus ao seu lema: “Free. Whether you like it or not”. Park Life  mostra em meia hora  uma colecção gigante de blocos que mostra bem o que Yosemite tem para oferecer.

Imagem de marca da LT11 é o grafismo 3D produzido por Jordan Shipman que se às vezes peca pelo exagero aqui é muito bem utilizado com os nomes dos blocos a materializarem-se em relevo a partir do granito num efeito verdadeiramente interessante, que ele generosamente explica neste vídeo.

Movidos talvez pelo apelo zen do espaço em si, além dos blocos resolvem brindar-nos com considerações metafísicas perguntando a cada um dos intervenientes a pergunta sacramental – why? – a tal pergunta para a qual ou  não existe resposta ou existem mil  e que aqui parece um pouco desenquadrada da acção. Se os depoimentos, como respostas, pouco adiantam,   permitem-nos por outro lado perceber que estamos na presença de um grupo de “weekend warriors”  como eles próprios se identificam ou seja pessoas “normais” com uma paixão avassaladora pela escalada,  um grupo ao qual pertence a grande maioria dos escaladores ditos “sérios” e como tal o vídeo promove uma identificação mais forte do que o normal vídeo com os ditos “pro’s”. A pergunta correcta não será “porquê?” mas “como?”, como a escalada mexe e transforma a vida de uma pessoa “normal”. 

Da vida no parque vemos muito pouco já que entre blocos e reflexões sobra muito pouco tempo para a mostrar, o que é uma pena.

Uma última nota para o fantástico final, ignorado durante todo o filme, sim, ninguém se digna a escalar o Midnight Lightning, aparece nos créditos finais, numa cena rocambolesca. Esta espécie de assassínio do icon para além de uma afirmação geracional é ao mesmo tempo uma prova da renovação do próprio local que felizmente tem muito mais para oferecer que os gastos blocos iconográficos como muito bem mostra este vídeo. SM


Polaroid Sexta

Janeiro 13, 2012


Quarta-Feira Fotos: Babugic

Janeiro 11, 2012

Olga Fedyuk aperta no mítico, mas escasso, limonete branco de Babugic Woods. Foto: Oldemiro Lima


O que faria o Dai?

Janeiro 10, 2012

Não faz parte dos propósitos deste sítio ser eco de notícias de relevo internacional. Koyamada escalar um V15 também já não é grande novidade, nem causa grande frisson na metralhadora numérica das notícias de escalada.

A desculpa desta notícia é olhar para o vídeo do bloco um vídeo já com alguns meses que mostra precisamente o encadeamento em pé de Agartha, V14, e no fim revela os primeiros movimentos daquilo que é o objecto da notícia actual: o encadeamento integral do bloco ou seja o Shanbara V15.

No artigo Dai, o Táctico tínhamos focado a atenção no aspecto cerebral da sua escalada, e o que se podia aprender com isso. Vendo este vídeo é impossível não reparar na perfeição técnica dos movimentos para além da força, obviamente também presente. Mas outros aspectos saltam à vista: a determinação e a insistência no trabalho de um movimento de aspecto impossível, o crux do bloco, e por fim a resiliência do escalador quando realiza o problema uma hora depois de ter batido, e bem, com os costados no chão ao cair na parte final.

Pode-se, e deve-se, aprender a ver Koyamada a escalar, a fina expressão de movimentos perfeitos sobre o mais exigente dos terrenos, o granito, torna-se quase magnético. Dez minutos de escalada muito pura.

Ainda outro dia experimentávamos um bloco de presas especialmente pequenas e cristaleiras ao sol, com resultados evidentemente pouco satisfatórios, até que surgiu a cínica sentença “O Dai certamente não estaria aqui a esta hora a experimentar isto”.

O que faria o Dai? Como escalaria o Dai? Escalaria a 110%, seria mais preciso, mais dinâmico, mais  combativo e certamente esperaria pelas melhores condições possíveis.

Isto pode, e deve, ser a personificação de um ideal, pois obviamente o Dai também terá os seus dias horríveis como humano que é. No entanto se dermos mais 1% para além do nosso limite se formos mais resilientes e mais concentrados obviamente iremos  melhorar aquilo que estamos a tentar e com isso já terá valido a pena ter feito a pergunta: O que faria o Dai?


Polaroid Sexta

Janeiro 6, 2012


Recordações da Época Passada. Épico Para Que Te Quero.

Janeiro 3, 2012

Ao princípio tudo eram épicos.

As vias eram grandes de mais, difíceis de mais, sujas de mais, boas de mais para lhes resistirmos. Nós éramos lentos de mais, inexperientes de mais, ambiciosos de mais para lhes resistirmos. O resultado só podia ser um: grandes épicos.

Épico em português vem de epopeia, que pode ser, para nossa conveniência, sinónimo de grande aventura. Na tradição anglo-saxónica, que aqui utilizo, “epic” significa também uma grande aventura, geralmente associada a bivaques inesperados na parede ou montanha, tempestades, situações imprevisíveis que resultam em quase desgraças que felizmente não se concretizam, deixando apenas algumas mossas e intensas impressões gravadas para sempre na memória dos protagonistas. Estes são os ingredientes dos “bons épicos”. Os maus também existem mas são bons para esquecer. As tragédias só são boas histórias para os outros.

Na escalada/alpinismo anglo-saxónico os épicos são levados a sério. A revista Climbing, por exemplo, tem números especiais só dedicados a eles com as histórias mais mirabolantes. Se existisse um rei dos épicos, Joe Simpson não teria dificuldade em ser coroado. Conhecidíssimo pelo ultra-mega-épico dos Andes, é no entanto na sua autobiografia, This Game OF Ghosts, que encontramos as mais deliciosas e incríveis aventuras, e claro épicos inacreditáveis. Mas, para se ter um épico, não é preciso quase ressuscitar dos mortos como o Joe Simpson no Siula Grande, basta ser inexperiente quanto baste e ter azar com a meteorologia.

Depois da nossa quase escalada da Meadinha, precisávamos de algo grandioso que eclipsasse por uns tempos a frustração causada pela tentativa falhada. Um pouco mais abaixo no vale ficava a Nédia, a maior parede de Portugal. Perfeito, a título de grandiosidade não se podia pedir, nem havia, mais. O facto de a Nédia ser uma espécie de encosta com granito projectado, era um detalhe, aquilo tinha cerca de vinte largos para escalar com corda e a última parte torna-se quase vertical, e acima de tudo parecia, e era, selvagem como o caraças.

Os ingredientes eram apetitosos e  algo inquietantes: aproximação excruciante, reuniões onde a única protecção era uma martelo entalado, passagens com “passos de homem” na mais pura tradição alpina e finalmente uma saída selvagem até voltar à “civilização”.

Nada disto nos demoveu, estávamos à altura do desafio, tínhamos o martelo e tudo. Só não nos decidíamos por que pés-de-gato usar, “Vão dois pares para cada um, e não se fala mais nisso!”, “Sim, parece ajuizado”. Comida suficiente, água de reserva e roupa de abrigo eram pormenores secundários que pensar neles e calcula-los só atrapalharia os nossos planos grandiosos e tiraria brilho à nossa ansiada aventura, alem de mais pesavam e ocupavam espaço na nossa já atulhada, de bens essenciais, mochila.

A nossa estratégia resumiu-se em procurar um sitio para dormir o mais perto possível do inicio da marcha de aproximação. A escolha caiu sobre Tibo, a aldeia onde se deixa o carro, onde uma casa em construção serviu na perfeição para residência nocturna.

Madrugamos. Ainda era noite quando fomos deixando para traz o nosso refúgio improvisado. Atravessamos a aldeia adormecida, acossados pelos latidos de dezenas de cães furiosos. Rapidamente chegamos ao rio, que decidimos atravessar cedo de mais, uma primeira decisão errada, numa série de várias que fatalmente traçariam o caminho do épico. Às apalpadelas corrigimos a trajectória encontrando um caminho que seguia ao longo da margem até estarmos em linha com a parede, aqui teríamos de abandonar os caminhos e navegar no mato até há base da parede, seria um presságio para o que aí vinha: até à tarde do dia seguinte não veríamos mais caminhos e “comeríamos” mais mato do que alguma vez sonháramos.

Mas eis que finalmente tínhamos alguma rocha pela frente, “ livres do mato!” exultamos inocentemente. A via – dos Narizes, para os poucos conhecedores – nos primeiros dois terços é muito tranquila, super tombada, às vezes a um ponto em que deixamos de escalar e ridiculamente passamos a andar. Passa por um jardim a meio e depois entra numa espécie de canal até que, por fim, chega a terrenos um pouco mais verticais.

O dia já ia bem avançado quando chegamos à base da famosa fissura do “passo de homem”. Estávamos a torrar, tínhamos estado a escalar todo o dia à chapa do sol, e já quase não tínhamos água. Água que em breve seria o nosso principal problema. Sem darmos conta, o tempo mudara, e preparava-se uma típica tempestade de Verão de fim de tarde. Mas a nossa preocupação do momento era chegar ao spit que era a única protecção do offwidth que tínhamos pela frente. Sem friends gigantes, ou tubos, resolvemos usar mesmo o método original: um trepa para cima do outro e meia fissura fica feita e o spit protegido, arrasta daqui arrasta dali e estamos já perto da saída, tendo pela frente uma série de placas. Entretanto o céu fechara completamente e começa a chover copiosamente. Apanhados na ratoeira, só temos uma saída, o Rui decide avançar, pois parte da placa fica debaixo de uma espécie de tecto, meio fora meio dentro, já com a chuva a cair com intensidade, conseguiu sair. Ainda hoje não sei como conseguiu escalar aquela placa ensopada praticamente sem protecção nenhuma. Mas o que é facto é que conseguiu e estávamos fora da via e no cimo. A tradicional exultação e alívio de sair de uma via grande estavam, por assim dizer, diluídas na montanha de água que nos caía em cima. Ensopados, literalmente, até aos ossos, não tínhamos mais nada para vestir alem de uma sweatshirt, e para ajudar à festa estava a anoitecer e não sabíamos para onde ir ou seja não sabíamos como sair daquele monte.

Começamos a andar, como dois zombies na noite, errantes e sem destino debaixo de uma chuva diluviana. Ao fim de algum tempo, desesperados, começamos à procura de um abrigo ou algo que se assemelhasse. Não encontrando nada, encostamo-nos a um calhau e colocamos uns ramos muito mal amanhados por cima de nós, pelo menos agora a chuva não nos caía na cabeça, só nas pernas e nos pés. E eis que estavam reunidas as condições para um bivaque de emergência na montanha. A noite nestas circunstâncias é uma espécie de insónia forçada só que ao invés de rebolar indolentemente na cama à procura de uma melhor posição, não paramos de tremer e à medida que a hipotermia se tenta instalar vamos contando o lento passar das horas sempre com a secreta esperança de começar ver a luz da madrugada no horizonte. A meio da noite o Rui decide pegar fogo às folhas que estão debaixo de nós, agarramo-nos logo a esse objectivo que rapidamente passou ao topo das nossas prioridades. Finalmente, quando já sonhávamos com uma lareira, começou a sair fumo das folhas molhadas, fogo nem velo, mas saía fumo o que não era mau, rapidamente transformamo-nos em fumeiros humanos disputando avidamente o lugar por cima da fumarada. Por fim lá nasceu o dia e como sempre acontece depois de uma tempestade de Verão, completamente limpo. Procuramos um sítio alto e exposto e aos poucos fomos aquecendo e secando a roupa e a tralha. À medida que o dia ia aquecendo, rapidamente percebemos que iríamos enfrentar outro problema: não bebíamos nada desde o dia anterior, não tínhamos água nenhuma, nem onde a ir buscar. Uma situação no mínimo bizarra depois de estar debaixo de uma tempestade.

Começamos a andar para Norte na cumeada, sabendo apenas que teríamos de descer a determinada altura para o vale da Peneda, só não víamos como. Sempre que tentávamos descer éramos engolidos pelo mato, e tínhamos de voltar à cumeada, começávamos a desesperar, o cansaço, a fome e principalmente a sede iam tomando conta do nosso discernimento. A fome aguenta-se bem, mas a sede, em muito pouco tempo, torna a situação extrema, exacerbada pelo calor excruciante.

De repente, face a mais uma descida de aspecto intransponível, o Rui diz, “ Pá, não quero saber, vou usar o método do meu primo!”. O “método do primo” era uma muito discutida, entre nós, teoria que no monte em última escolha a linha recta é a melhor opção. E, sem mais, atirou-se literalmente ao mato começando a descer a direito. O mato, uma mistura de giestas de mais de dois metros, silvas e árvores caídas, era de tal maneira denso que ele desapareceu de vista num instante.

Durante uns segundos, que pareceram eternos, fiquei isolado no cimo do monte, bloqueado e sem saber o que fazer. Sentindo um lento desespero a crescer. Antes de quebrar e começar a chorar cheio de pena de mim mesmo, grito: “ Foda-se, espera aí!”.

O que se seguiu foi a mais louca descida que jamais fiz, atiramo-nos, como kamikazes, a correr pela encosta abaixo, rasgados e arranhados pelas silvas, tropeçando e caindo nas árvores caídas, às vezes com cambalhotas completas, fomos abrindo com o nosso próprio corpo o caminho. Até que rebolando demos com um tubo preto, “ Eh! isto parece um tubo de água”, desesperadamente começamos a tentar cortar o tubo, mas não tínhamos como, “Espera! deve ter uma emenda”, percorremos o tubo sofregamente e lá estava ela, separamos as duas parte e imediatamente jorrou água em abundância, não sabíamos de onde vinha aquilo, mas era a água mais fresca e deliciosa que alguma vez bebi, que dádiva. Saciada a sede, recompusemo-nos um pouco melhor e já conseguíamos pensar com mais clareza, se andava ali um tubo não devíamos estar longe de um caminho.

A rebolar, literalmente, mais uma vez, caímos em cima do caminho que levava ao vale. Estávamos safos. Quando chegamos ao rio vejo uma poça de água cristalina que, qual  miragem, começa a atrair-me como um íman, começo a tira a roupa e só então vou tomando noção de como estávamos: arranhados, esfolados e com a roupa reduzida a trapos, tudo rasgado. Atiro-me à água sem pensar mais. Quando emergi da água gelada, já tudo estava para trás, tudo estava bem e o nosso épico começava já lentamente a ocupar o seu lugar nas finas páginas da memória escritas a fogo ou, neste caso, talvez a água. SM


Bom 2012

Dezembro 31, 2011


Solstício de Inverno

Dezembro 22, 2011

Foi hoje às 5:30.


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