Maia Boulder Contest 2012

Maio 21, 2012

A Maia vive um frenesim com os preparativos para MBC 2012, como prova esta produção NorteBouldering, com imagens de Pedro Rodrigues, para o Clube de Escalada da Maia. É já no próximo Sábado, se não se inscreveram façam o favor de se apressarem.


Jogadores NB. A Força Tranquila. Uma Entrevista com José Abreu. Parte 2.

Maio 18, 2012

 

Três países diferentes, experiências muito diferentes e completas no mundo da escalada… para além do pequeno paraíso que perspectivavas mais é que te deu olhar para isto “de fora”? Por onde começavas a mudar as coisas, se pudesses, ou deixavas tudo como está, isto é, um pequeno canto pouco massificado mas com pequenos paraísos para os “conhecedores esclarecidos”.

Não mudava nada ou muito pouco, temos a nossa identidade e as coisas vão-se fazendo à medida que vão aparecendo as pessoas.

Muito bem, e por falar em pequenos paraísos, é notória a tua predilecção por Corno de Bico, o que é que aquilo tem de especial para ti?

Corno de Bico impressiona sobretudo pela relação qualidade/blocos duros, dá-se duas voltas e encontra-se um oitavo de qualidade. Acima de tudo foi sem duvida uma revolução, surgiu numa época em que os projectos escasseavam ao Júlio, e ele teve a intuição para descobrir esse paraíso.

Sim, o timing com que ele descobriu Corno de Bico foi incrível, intuição é algo que não se vê muito associado ao Júlio, mas o seu  “faro” para encontrar bloco duros é lendário. Essa intuição ganha-se ou achas que é inata da pessoa, até que pontos os factores inatos são importantes ou és da opinião que o escalador se pode fazer a ele próprio?

Nesse caso em particular aliado à intuição natural ele via blocos que mais ninguém via, derivado ao seu nível. As aptidões com que nascemos são importantes mas tudo se pode trabalhar, podes não ser o melhor do mundo mas consegues fazer as tuas coisas com alguma dedicação, por outro lado uma pessoa que nasce com todas as aptidões não quer dizer que as rentabilize ao máximo.

A figura do Júlio é incontornável quando se fala de Bloco, qual foi a sua influência para ti?

Ensinou-me o que é o bloco a “sério”, paciência, perseverança e metodologia para trabalhar um verdadeiro projecto, alem do verdadeiro espírito de sacrifício no treino, para além de carregar aos ombros durante muitos anos com a evolução pois fez as primeiras ascensões nacionais de V10 a V14, quando nem imaginávamos o que era um “double-digit”.

É verdade. De rajada, 3 blocos de Corno de Bico que vão ficar para a posteridade?

Tobogã, Dragão azul e o Enigma a Máquina.

Estiveste há pouco tempo em Fontainebleau. Quais as diferenças que denotas desde a última viagem e até que ponto é que a tua experiência e maturidade no bloco mudou?

A primeira vez que lá estive foi à 8 anos, se não estou em erro, nessa altura não tinha qualquer noção do que era o bloco e de como trabalhar um bloco, atirava-me a tudo como se estivesse no muro e tivesse resistência infinita. Desta vez conseguia analisar os blocos antes de os ensaiar, repousava como deve ser e tinha bastante mais paciência.

 Pois… é a maturidade a chegar…

Também…

De um ponto de vista individual, o que é que descobriste de diferente que te permitiu evoluir ou seguir outro caminho na tua trajectória de escalador, especialmente em França onde as coisas estão bem mais avançadas por exemplo ao nível do treino de escalada?

Treinar com escaladores que fazem habitualmente o circuito Mundial e que têm um nível bastantes superior ao meu, permitiu-me ver os objectivos mais atingíveis, em termos de métodos não varia assim tanto, é muito trabalho e muitas horas de treino por detrás. No que noto diferença é no facto de ter um bom muro de corda que é uma experiência nova e interessante.

Já sabemos que muros de corda gigantes não existem por aqui, de bloco vai existindo qualquer coisa, o que falta mais para escaladores nacionais começarem a dar cartas nas comp’s internacionais, é tudo uma questão de nível?

Sobretudo nível e um pouco de experiência.

 Elabora o que é nível para ti?

No caso das competições de bloco, nível de forca física, em termos técnicos não existe assim tanta diferença.

Isso da força física espanta um pouco, dá-me um exemplo prático?

Capacidade para aguentar uma presa pequena acima do ombro, nas compressões ter força corporal para aguentar com o corpo estático. Em competição fica sempre a duvida se utilizas o método correcto, mas no muro onde costumo treinar realizou-se há pouco tempo uma prova do circuito Francês de Bloco, deixaram alguns blocos da eliminatória em formato contest e nos blocos duros as presas ficavam simplesmente longe demais…

Já te vi com um livrinho da Desnivel, salvo erro o planificação do treino do David Maciá,  bem amarrotado e gasto…e sei que gostas de treinar duro e planificado…até que ponto a planificação é fundamental, para competição e também para rocha?

Sim, sim é mesmo esse o livro. Os resultados do treino planificado são inequívocos para melhorar as tuas performances, para competição se queres levar a coisa de uma forma minimamente séria, é mesmo essencial. Para escalar em rocha, e se tens somente o fim-de-semana, tens de por numa balança, de um lado passares um bom bocado com os amigos a fazer uns blocos ou estar concentrado e agarrado a um cronómetro depois de um dia de trabalho.

Pode haver sempre um equilíbrio, não?

Sim, pode-se fazer um período planificado que coincida com períodos que não se pode escalar tanto em rocha e depois treinar somente para manutenção mais relaxado.

Muito bem Sr. treinador, e qual poderá ser o caminho para um escalador jovem português que aspire a participar de forma competitiva nos circuitos internacionais? Sem ser emigrar.

Primeiro, obviamente motivação para tal, depois estar na disposição de passar bastantes horas a treinar, e por fim meios monetário para poder fazer pelo menos as provas Europeias.

Não és estranho ao trabalho pesado, sempre equipaste, escovaste blocos, muitas vezes de moto serra e marreta às costas, e na Maia tens muito trabalho pesado na montagem do Muro. Esse carregar com as coisas às costas, muitas vezes sozinho, é devido a estares na linha da frente e sentires que se não puxares a carruagem mais ninguém puxa ou também é importante dar aos outros, especialmente num desporto egoísta como a escalada?

Apesar de ser um desporto individual, não considero que seja um desporto egoísta. Não podes estar a espera que as coisas se façam sozinhas, as vezes é preciso ter espírito de iniciativa, se podes deixar algo que possa ser aproveitado, como o equipamento de vias por exemplo, mais gratificante se torna.

Quando te voltamos a ver por aqui?

De visita para a competição da Maia.

Então…Até já…

Uma entrevista por Sérgio Martins. Fotos: Parte 1: Oldemiro Lima.  Parte 2: La Bombe Humaine assis, Bois Rond, Fontainebleau, Foto: Romana Braga.


Jogadores NB. A Força Tranquila. Uma Entrevista com José Abreu.

Maio 17, 2012


O Zé não precisa de apresentações, se nas vias desportivas marcou a escalada nacional principalmente com o encadeamento da via Acção-Reacção, primeiro 8c em 2006, no universo das competições tem vitórias em todo o género de competições nacionais e inúmeras presenças internacionais, onde obteve até à data o melhor resultado de um escalador português. Mas, é nos blocos que o gostamos de o ver, e aí a sua presença no universo NorteBouldering é quase omnipresente desde o início, quando subia a pé para a Srª da Assunção com uma almofada de sofá às costas, até à actualidade com repetições e flash’s de peso em Corno de Bico e aberturas significativas no Covão Cimeiro, por exemplo.

Neste últimos anos sentimos-lhe a falta e quisemos saber o que era feito dele:

 Que é feito de ti, José?

Ando por Lyon, França.

Emigraste?

Não, estou a acabar um mestrado na área da Engenharia Mecânica.

Há quanto tempo estás fora de Portugal e qual é que tem sido o teu percurso nesse período?

No inicio de 2009 fiz um estagio no sul do Brasil. Depois, após uma pequena passagem por Portugal, no inicio de 2010, parti para Barcelona para trabalhar num centro de investigação e por fim, em Setembro do ano passado mudei-me para Lyon.

Sentes-te parte da nova diáspora? Ou é tudo obra do acaso?

As coisas foram correndo e os timings foram batendo certo.

A pergunta ia no sentido se achavas que Portugal era curto de oportunidades, ou demasiado pequeno, tendo em conta que as coisas se agravaram muitíssimo desde então?

Não foi uma questão de falta de oportunidades, mas uma vontade de adquirir conhecimento de outros métodos e outras culturas, ou derivado de um velho hábito de querer fazer as coisas sempre da maneira mais difícil.

Achas que é um defeito/virtude dos escaladores procurarem sempre o mais difícil?

Na maior parte das vezes pode ser uma virtude mas em alguns casos pode ser um grande defeito.

Nesse sentido, até que ponto achas que a escalada te moldou como pessoa?

É uma pergunta complicada, comecei a escalar com treze anos e passei a minha adolescência a escalar de um lado para o outro, é óbvio que isso marca a tua personalidade, mas sobretudo a parte da competição é transversal a todos os desportos e nesse aspecto marca bastante, pois os resultados estão directamente ligados ao que se trabalhou antes, se se aprende essa lição já valeu a pena o esforço.

Até que ponto a competição foi e é importante para ti?

Eu comecei a escalar num rocódromo  e até perceber como funcionava a dinâmica de escalar em rocha só a competição fazia sentido. Acaba por ser uma boa motivação para treinar e aproveitar a boa forma para realizar objectivos em rocha.

Voltando um pouco atrás, Brasil, Barcelona, Lyon, até que ponto a escalada influenciou na escolha destes destinos, se é que influenciou?

Brasil foi totalmente ao acaso, fui aceite num programa em que podia ter sido colocado em qualquer país do mundo, acabei por ir para o estado de Santa Catarina e no primeiro fim-de-semana já estava a escalar com os locais. Coincidiu também com a descoberta de uma das melhores falésias do Brasil que se chama Corupà, que ficava a 100 km de minha casa, e onde ainda tive oportunidade de equipar um par de vias.

Barcelona foi uma escolha pessoal já mais a pensar na escalada, e Lyon foi obra do destino mas que me esta a dar uma outra, e diferente, abordagem à escalada.

O que encontraste de diferente e o que mais te marcou, e marca nesses países, centrando-nos no mundo da escalada?

O Brasil, e falando do Sul onde vivi, está mais avançado do que imaginava. Em Curitiba por exemplo existe uma comunidade de escaladores bastante fortes e dinâmicos e têm dois ou três rocódromos grandes, ou mesmo mais a Sul, em Caxias do Sul, existe uma falésia com vias de alta dificuldade. Neste momento o único entrave é o preço do material para equipar. No Brazil acho que aprendi a dar valor às realizações dos locais, com as condições que têm o nível onde chegam é bastante meritório.

Barcelona propriamente dito não tem nada tirando Montserrat a 50Km, mas depois num raio de 300km tem tudo. São necessárias várias vidas só para fazer as vias de qualidade, aliando isso à dificuldade, é um verdadeiro paraíso.

Em Lyon descobri um lado da escalada que nunca tinha pensado viver, que é a escalada em grandes muros interiores. Vivo a dez minutos do maior muro de escalada indoor de França, dirigido por um ex-campeão do mundo e com bastante gente com um nível superior ao meu a treinar, tem dado para aprender bastante. Em rocha tenho tido contacto com uma coisa que damos pouco valor em Portugal que são os talhados ou no nosso caso a ausência deles, principalmente nas escolas mais antigas, onde há talhados do 6a ao 8a, em conjunto com o uso excessivo. Muitas vezes penso que também vivemos num pequeno paraíso onde podemos desfrutar de vias novas e naturais.

Em certa medida o nosso atraso protegeu-nos dessa “tendência”, mas… não estarás a confundir paraíso com saudades de casa?

Se calhar não foi atraso mas futurismo. Como em muitos outras coisas na vida só nos damos conta do que temos quando a vemos de outra perspectiva, mas já me tinha dado conta no Verão passado ao refazer umas vias no Sicó que já não fazia há muito tempo, e me dei conta que são vias bem especiais.

Diz assim de rajada 3 dessas vias especiais?

Passagem de Testemunho, Circus e Bob o Equipador.

 

Amanhã publicamos a segunda parte, o verdadeiro  paraíso, viagens recentes, os treinos, etc…


Quarta-Feira Fotos: Meca.

Maio 9, 2012

Filipe Carvalho, Coup de Cymbale, J.A. Martin, Fontainebleau. Foto: José Abreu.


Soure BC’12

Março 21, 2012

Um pequeno Time-Lapse realizado por Pedro Rodrigues nas eliminatórias da prova de bloco de Soure no Sábado passado.


Campeões de Pré-Época

Março 6, 2012

Com um atraso indesculpável de vários meses e com a próxima pré-época quase a chegar, eis aqui uma espécie de retrato da nossa passagem pelo Covão Cimeiro este Verão.

O Covão é um micro spot para afogar as mágoas do blocador esquentado pelas temperaturas sufocantes das pastagens de mais baixa altitude e onde se pode brincar de forma muito aceitável jogando com a exposição solar.

Com a segunda época de desenvolvimento o Covão Cimeiro vai revelando os seus segredos e potencialidades, tratando-se de um caos de blocos de glaciar tem muitas particularidades permitindo mesmo blocos ridiculamente divertidos e únicos, como o Divã, o único bloco que conheço que começa sentado e acaba sentado…

O Bloco é um jogo e o terreno de jogo que puxa mais pela imaginação é o caos, cada linha exige desobstruções, tapar buracos, bizarras movimentações de crashs, e spoter’s experientes, tornando possíveis situações à primeira vista impossíveis. Este é o caminho a seguir à medida que as linhas mais óbvias vão sendo feitas.

Aos poucos a Serra da Estrela vai-se compondo como uma área de Bloco total, com alternativas para o Inverno e Verão, blocos no lado Leste, a Pedra do Urso, e agora no lado Oeste, a Lagoa Comprida e outras zonas no miolo. Uma pequena comunidade local desenvolve-se também dos dois lados, Seia e Covilhã, desfrutando de um “quintal”, no mínimo, de luxo. SM


Polaroid Sexta. Pad People.

Março 2, 2012


NBabugem. A Verdadeira Carapaça Kong.

Fevereiro 29, 2012

Habituado ao etilo penoitiano, “King” fica KO, e tenta recuperar forças dentro da “Carapaça Kong”.


Recordações da Época Passada. O sótão.

Fevereiro 27, 2012

Oldemiro Lima, a dar duro no Sótão.

Smells Like Teen Spirit. Cheira a pó e a magnésio. Aneurysm. Abrenuncio. Mais pó, mais magnésio, mais dores nos dedos. The Man Who Sold The World. Toca a campainha. Molly’s Lips. Vem alguém a subir as escadas. Son Of A Gun. Risos. Mexican Seafood. Merda de presas. Something in the Way. A cassete enrolou outra vez. The Man Who Sold The World. Outra vez. Territorial Pissings. Merda de aparelhagem. Come as You Are. Por quatro contos não se podia esperar melhor.

No inicio era o pó. Literalmente o pó. Toneladas de pó, cristalizando objectos, moveis e até o próprio tempo. Cada vez que levantávamos uma tábua ou desviávamos um armário, viajamos no tempo. Andávamos para trás uma geração e efabulávamos as mais loucas histórias. Éramos bons nisso. Ficavam a doer-nos os abdominais de tanto rir. Éramos bons nisso.

Quando as vigas de madeira do telhado ficaram à vista, surgiram aquelas palavras escritas a vermelho vivo. Abrenuncio. Depois outra. És feliz não tens problemas. Pedimos explicações. Não nos deram. As histórias ali passadas não eram nossas. Aceitamos. O futuro sim seria nosso, e para já, se nos portássemos bem, o sótão também.

Começamos a carregar placas pela longa escadaria acima. Mais vigas, meios-fios e barrotes afins, em quantidades tais que os donos da casa ficaram com medo que o telhado lhes caísse em cima da cabeça. “Não há problema. Isto é mesmo assim, faz parte da construção de muros de escalada em sótãos”, dissemos tranquilizadores. “Ai, sim?”.

Os muros construíam-se com ângulos de 60º ou 70º em relação à vertical. Assim conseguia-se em espaços com um pé-direito reduzido maximizar a distância escalável, mas é também um dos ângulos menos eficazes para treinar porque limita muito o tamanho das presas para além de não ter quase relação para a rocha real. Enfim, era a fruta da época. Tínhamos visto um em Sintra, do Rui Carvalheira, então um dos primeiros a surgir para as bandas de Lisboa e prometeram-nos um power infinito treinando em semelhante máquina de tortura. Não precisávamos de muito mais para ficar convencidos, só precisávamos de um espaço. O Martinho tinha um sótão vazio e mão-de-obra não faltava.

Exageramos. Nunca fomos de meias medidas. E aquilo nunca mais ficava pronto, mesmo trabalhando todos os dias depois das aulas. Ao fim de um mês épico de trabalho quase diário o primeiro muro ficou montado, o tal de 60º, depois ao longo de um ano foram-se fazendo melhorias e acrescentos como se de uma teia de aranha se tratasse. Na versão final teria 50 metros quadrados escaláveis, mais de 500 presas, campus board, sala de musculação, tudo e mais alguma coisa.

A instalação sonora era garantida pelo rádio-gravador mais barato que encontramos, e inexplicavelmente, ou por preguiça, ou por eficácia, só existia uma cassete, um mix dos Nirvana que passou milhares de vezes, a tal ponto que ainda hoje ouvindo algumas daquelas musicas sinto um impulso nervoso para começar a apertar.

Os treinos eram caóticos, duros e divertidos, sempre pontuados pela presença eléctrica do anfitrião. Que mal conseguia dormir, estudar ou pensar com uma muro daqueles a pairar por cima do seu próprio quarto. Um tipo com dezassete anos a explodir para a escalada com uma coisa daquelas literalmente por cima da cabeça, retrospectivamente tenho de admitir que é demais para qualquer um.

Um dia, por exemplo, o Martinho estava pendurado a aquecer fazendo tracções numas presas por cima de uma porta e alguém disse: “Aposto que não te aguentas aí com um gajo pendurado em ti”, não foi preciso mais, perante o seu ar de desafio, alguém saltou logo e agarrou-se a ele, que impávido e sereno continuou pendurado como se nada fosse, face à provocação, saltou outro, e já eram dois pendurados, e o Martinho nada, “E três?”, salta mais um, agora é um tipo agarrado a dois puxadores a ranger os dentes e outros três pendurados nele a rir e a gritar. Até que de repente caem todos com estrondo, no meio da confusão olho para o chão e o Martinho continua titanicamente agarrado às duas presas, olhamos todos para cima incrédulos, a placa de madeira apresentava dois buracos redondos perfeitos. Para nós isto passou a ser a definição de treino com carga.

Depois desvaneceu-se. Os interesses divergiram, as trajectórias separaram-se, muitas para mal se voltarem a tocar. O pó voltou. Lentamente. Cristalizando mais uma vez o tempo algures num sótão da cidade do Porto.

The Man Who Sold The World. As coisas nunca mais serão como antes. Come as You Are. Vem alguém a subir as escadas. Smells Like Teen Spirit. Decididamente nunca mais serão assim. Aneurysm. Risos. Something in the Way. O espelho quebrou-se algures pelo caminho. Molly’s Lips.  Riamos até nos doerem os abdominais. Son Of A Gun.  Éramos bons nisso. SM


Quarta-Feira Fotos: Resvalanço.

Fevereiro 15, 2012

Filipe Carvalho, no Resvalanço V9, Santo Tirso. Foto: Pedro Rodrigues.


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